domingo, 21 de outubro de 2012

Brasileiro escapa de avalanche que matou 12 pessoas no Himalaia

Manoel Morgado é montanhista profissional. Ele já chegou aos sete cumes mais altos do mundo.

No mês passado, decidiu encarar um novo desafio: subir o Manaslu, na Cordilheira do Himalaia.

“O que eu vim buscar aqui no Manaslu foi saber dos meus limites. Se eu tinha condições de fazer uma montanha acima de oito mil metros sem a ajuda de xerpas, sem a ajuda de pessoas carregando tudo montanha acima pra mim e sem uso de oxigênio suplementar”, diz Manoel.

Partiu de Kathmandu, a capital do Nepal, com destino ao cume de uma das mais altas montanhas do mundo. Foram vários dias passando por cenários maravilhosos. Pequenas aldeias, plantações de arroz, cachoeiras...

“Hoje é o sexto dia de trekking e finalmente hoje a gente vai começar a subir”, declara Manoel.

Uma escalada desse tipo se faz por etapas. O primeiro passo é montar um acampamento base, passar um tempo lá para se acostumar com a altitude, e depois subir para o campo seguinte.

“Agora o que a gente tem pela frente é, apesar desses anos todos de montanha, pra mim é muito desconhecido”, diz Manoel.

É hora de pedir a benção dos deuses. Manoel Morgado e montanhistas do mundo inteiro se juntam para rezar. Daqui pra frente, é começar a subir pra valer.

“Depois de cinco horas chegamos ao campo um. Um dia maravilhoso, céu azul, vistas incríveis, montanha lindíssima”, declara Manoel.

No meio do caminho, Manoel fica sabendo de uma notícia terrível: “Hoje é um dia trágico para o montanhismo mundial”, conta.

Na madrugada de 24 de setembro um bloco de gelo gigante se desprendeu do topo da montanha. Seu impacto na neve causou uma enorme avalanche, que varreu tudo o que encontrou no caminho. Incluindo um acampamento onde estavam cerca de 30 pessoas. Doze morreram. Foi o maior acidente da história do montanhismo nos Himalaias.

Essa semana Manoel contou ao Fantástico o que viu ali.

“Não tinha absolutamente mais nada. Não tinha nem marca de gente, nem nada que dissesse que ali tinha existido o acampamento. Mas montanha abaixo, 200 metros, 300 metros mais baixo na montanha, a encosta toda estava forrada de restos de barraca. Muito triste o que aconteceu”, relata.

Essa foi uma escalada diferente.

“Eu não quero ir mais do que o meu corpo pode me dar”, declara Morgado.

“Eu acho que a resposta está bem evidente, e está acima das minhas capacidades”, diz.

Manoel Morgado, dessa vez, não chegou ao topo. Mas de volta a Kathmandu, sabe que encontrou o que foi buscar em Manaslu.

“Foram dias muito intensos, com muita emoção. Estar nas montanhas é sempre uma coisa muito importante pra mim”, declara.

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