terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fiel ao livro, “As Vantagens de Ser Invisível” emociona com delicadeza

Expondo dramas e descobertas adolescentes, novo filme com Emma Watson e Logan Lerman conquista por diálogos marcantes, trilha sonora bem cuidada e atuações incríveis

Toda vez que uma adaptação cinematografica é anunciada é de praxe que os fãs do livro original torçam o nariz, esperando o pior da versão para as telonas, em especial se o roteiro é comprado por um grande estúdio de Hollywood. Felizmente, esse não é o caso de "As Vantagens de Ser Invisível" , romance que fez a cabeça dos jovens norte-americanos no final dos anos 1990, escrito por Stephen Chbosky aos 28 anos de idade.
Agora, aos 42, Chbosky assina o roteiro e a direção da versão para as telas de sua história, que estreia ao Brasil nesta sexta-feira (19), com Logan Lerman (“Percy Jackson e o Ladrão de Raios”) e Emma Watson (“Harry Potter”) nos papeis principais.

Narrado em primeira pessoa por Charlie (Logan Lerman), um garoto solitário que está prestes a entrar no Ensino Médio, “As Vantagens de Ser Invisível” é ambientado no começo da década de 1990, quando as pessoas trocam fitas cassete com suas músicas favoritas e podiam reclamar de não ter nada pra ver na TV.
Para aplacar o nervosismo de seus primeiros dias em uma nova escola, Charlie decide escrever cartas a um destinatário anônimo, contando o que acontece em seu dia a dia.

Os primeiros dias no novo colégio parecem trágicos para o rapaz, mas isso muda assim que ele conhece os veteranos Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), que percebem, em uma cena tocante, que o protagonista não tem nenhum amigo.
Juntos, o exagerado Patrick e a charmosa Sam vão apresentar a Charlie uma série de novas experiências, incluindo os primeiros contatos do rapaz com as drogas, a bebida e o amor, além de auxiliá-lo com seus traumas do passado e com seus primeiros relacionamentos - temas clássicos em qualquer filme de colégio.
Para além da “Sessão da Tarde”
Os elementos típicos de um filme de colégio americano - os jogadores de futebol americano, os professores, os bailes na escola - aparecem em “As Vantagens de Ser Invisível”. Entretanto, a apresentação de todos esses personagens fica por conta do olhar muito particular de Charlie, o que dá ao filme uma cara diferente de qualquer clássico teen da “Sessão da Tarde” .

Além disso, são os detalhes que fazem de “As Vantagens” um filme singular, como os diálogos sutis entre os três personagens principais e a excelente escolha da trilha sonora, que inclui “Come On Eileen” , dos Dexys Midnight Runners, e “Heroes”, de David Bowie .

O trio principal de atores tem grandes atuações, cada um à sua maneira. Em seu primeiro grande papel após “Harry Potter”, Emma Watson convence como uma cativante colegial e está apaixonante. Logan Lerman, por sua vez, é capaz de mostrar toda a inocência e insegurança de Charlie em apenas um olhar. Já Ezra Miller está tão bem como Patrick que torna as extravagâncias de seu personagem quase irritantes.
Produzido pela Summit Entertainment (a mesma da saga “Crepúsculo”) após um pedido de Emma Watson ao presidente da companhia, “As Vantagens de Ser Invisível” faturou R$ 12,9 milhões em bilheteria nos Estados Unidos, chegando a ter um faturamento de quase R$ 115 mil
por sala de exibição em seu fim de semana de estreia.
Ao final de seus 102 minutos, “As Vantagens de Ser Invisível” pode ter para os jovens de hoje a importância que “O Clube dos Cinco” , de John Hughes, teve para a geração dos anos 1980, por mostrar o mundo adolescente em um meio caminho entre o preto-e-branco e cores exageradas.

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