“As Vantagens de Ser Invisível” ganha adaptação para o cinema com Emma Watson no elenco. História marcou geração MTV e chegou a ser banida nos EUA
“ As Vantagens de Ser Invisível
” foi lançado em 1999, mas a história de Charlie
, Sam
e Patrick
se passa em 1991. Assim, mais de 20 anos separam a realidade dos jovens
leitores de hoje da dos protagonistas da obra de Stephen Chobsky
. Estas duas décadas, no entanto, não impedem que qualquer adolescente
se identifique com os problemas como escola, amigos, família, drogas e
amor, que são tratados na obra, até pouco tempo esgotada no Brasil e que
ganha reimpressão pela editora Rocco neste mês.
A narrativa é tão atemporal que não foi preciso adaptá-la
para os anos 2000 quando virou o filme homônimo, que estreia nesta
sexta-feira (19) nos cinemas brasileiros sob direção do próprio autor, e
Emma Watson
(“Harry Potter”), Logan Lerman
("Percy Jackson") e Ezra Miller
("Precisamos Falar Sobre Kevin") no elenco.
A nova capa do livro, que está sendo relançado pela editora Rocco por causa do filme
“Charlie” é o codinome adotado por um garoto bastante
solitário e sensível que acabou de perder o melhor amigo, que cometeu
suicídio. Na noite anterior ao primeiro dia no Ensino Médio, o
personagem decide escrever cartas para um remetente anônimo que ele não
conhece pessoalmente. “Ela me disse que você ouve as pessoas, as escuta e
não tenta transar com você em uma festa se você não quer”, explica o
rapaz logo no início do primeiro texto que escreve.
Recém-formado no Ensino Fundamental, Charlie ainda tem
uma ingenuidade que vem ao chão quando conhece o casal de meio-irmãos
Sam e Patrick. O contato com os veteranos garante ao adolescente uma
iniciação no mundo das festas, da maconha e, claro, da sexualidade. Tudo
isto, no entanto, de forma bastante natural, já que jovens passam por
este tipo experimentações, seja durante a adolescência ou quando entram
na faculdade.
Cultura pop
A cultura pop em geral tem um papel importante na formação do personagem principal. A música “ Asleep
”, do The Smiths
, é, por exemplo, a favorita de Charlie, filho de uma geração que
costumava conhecer bandas novas quando um amigo lhe dava uma fita
cassete gravada. Canções de Nirvana
, a banda preferida de Sam e Patrick, também estão na “trilha sonora” do romance, assim como Beatles
, U2
e Simon and Garfunkel
.
Há, ainda, referência a filmes como “ The Rocky Horror Picture Show
”, que chega a ser encenado pelos personagens de “As Vantagens” em sessões de cinema. O longa “ Reds
” e a série “ M*A*S*H
” também são citados. Esta segunda produção tem um papel bastante
importante na relação do protagonista com seu pai, que faz o tipo sisudo
e de poucas demonstrações de afeto.
Além disso, Charlie é um leitor assíduo e, por isso,
acaba criando uma ligação com seu professor de literatura. É dele que o
adolescente recebe a “lição de casa” de ler obras como “ On The Road
” ( Jack Kerouac
), “ O Grande Gatsby
” ( F. Scott Fitzgerald
) e “ O Apanhador no Campo de Centeio
” ( J.D. Salinger
). Esta última escolha, especificamente, é um aspecto interessante.
A história criada por Chbosky esconde muitos paralelos
com o clássico de Salinger. Os dois livros retratam os pensamentos de
jovens que não sabem muito bem o seu lugar no mundo e que são
extremamente confessionais. Até mesmo o elemento “obra proibida” é
parecido: enquanto, nos anos 1950, pais mais moralistas consideraram “O
Apanhador no Campo de Centeio” inadequado para seus filhos adolescentes,
“As Vantagens de Ser Invisível” passa pelo menos dilema em pleno século
21.
Por sete anos consecutivos, a história de Charlie figura
na lista da Associação Americana de Bibliotecas de livros que foram
banidos ou retidos em cidades de estados dos EUA como Indiana, Wisconsin
e Texas, sob a alegação de que o volume não é recomendável para
adolescente por tratar de, forma explícita, sobre sexualidade e drogas.
Além de ter sido influenciado por grandes obras da
cultura pop, “As Vantagens” também influenciou. Apesar de ter estreado
na TV pouco tempo antes do livro chegar às prateleiras, a série “
Dawson’s Creek
” guarda algumas semelhanças com o texto de Chbosky, principalmente pelo
teor profundo de seus diálogos. Outra produção que leva um pouco da
obra é “ Friday Night Lights
”, que estreou em 2006 e, atualmente, está em sua quinta temporada.
Um livro sobre amadurecimento
“As Vantagens de Ser Invisível” é um livro curto e
dinâmico, mas nem por isso raso. Como tudo é, teoricamente, contado por
cartas de um menino de 16 anos, o autor tomou um cuidado especial com o
estilo de escrita do protagonista.
No início, o texto do adolescente é bastante pobre e
infantil, mas, à medida que vai amadurecendo emocional e
intelectualmente, Charlie começa a escrever de uma forma mais profunda e
completa. Assim, podemos ver o crescimento do garoto não só nas
histórias que conta, mas, também, de uma forma mais subjetiva.
Apesar de escrever roteiros, textos que são, geralmente,
cheios de detalhes para que os atores conheçam bem seus personagens,
Chbosky não te entrega de bandeja nenhum detalhe durante a obra. É
preciso prestar atenção em pequenas coisas, porque o autor é sutil ao
narrar certos momentos que são um tanto tensos.
Chbosky demorou cinco anos para escrever o livro e,
quando o lançou, aos 29 anos, já tinha deixado a adolescência há muito
tempo. Ainda assim, o sucesso da obra foi tanto que, dois anos depois de
seu lançamento, já tinham sido vendidos 100 mil exemplares nos EUA. No
Brasil, “As Vantagens de ser Invisível” chegou às prateleiras em 2007
com uma tiragem de quatro mil cópias.
Os números impressionantes não são, no entanto, as únicas
conquistas da obra. O livro de Chbosky marcou toda uma geração de
jovens dos anos 1990 e entrou para o currículo de várias escolas de seu
país. O reconhecimento se deve, talvez, ao fato do título ser
semi-autobiográfico.
Assim como Charlie, Stephen cresceu em Pittsburgh, na
Pensilvânia. Apesar de ter tido uma passagem pelo Ensino Médio bastante
diferente, o autor tem elementos em comum com o personagem. “Quando eles
[Charlie, Sam e Patrick] passam pelo túnel de Pittsburgh acelerando com
o carro e ouvindo música, aquilo sou eu aos 16 anos dirigindo com os
meus amigos por aí”, disse o escritor em entrevista à revista americana “
Nylon
”.
Na mesma conversa à publicação, Chbsky disse que percebeu
a importância de sua obra quando começou a receber cartas de fãs que
diziam que o livro os tinha impedido de cometer suicídio. “Uma carta que
nunca vou esquecer dizia: ‘A primeira vez que me senti amado foi lendo a
sua obra”.
“As Vantagens de Ser Invisível” estreia nos cinemas brasileiros em 2 de novembro.
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